sexta-feira, 11 de junho de 2010

We're all african

Por TIAGO DE SOUZA

A melhor da história! Essa foi a frase que repeti em cada minuto da Abertura da Copa do Mundo de 2010. E aqui, hei de tentar me explicar por que…

Realmente não tivemos o show de tecnologia e imagens visto desde a Copa da Itália em 1990. Também não vimos nada parecido com a demonstração de força vista na Olimpíada da China. Todos esses foram espetáculos belíssimos, até então sem precedentes. Até então…

Porque nunca seu povo foi tão real, sua nação foi tão palpável. Faltou todo o sentimento de milênios carregado pelo mutilado, esquecido e feliz povo africano. Faltou a carga de emoção real, faltou a aura de alegria verdadeira – e única- de um povo que até chega dar a impressão que deixa de lado qualquer sentimento de injustiça, para saudar o mundo que o renegou e agora vem até eles.

Sei que tudo aquilo faz parte de a lgo fantasioso criado para emocionar o público. E na maioria das vezes emociona mesmo assim. Mas não como dessa vez, onde autoridades aparecem de camiseta no palco dos Bafana Bafana’s, onde os problemas não são maquiados para o mundo ver – porque eles são reais – onde o líder é uma alma como Nelson Mandela, onde o mundo consagra o continente onde nós surgimos… impossível é não ser tocado de alguma maneira!

A Copa, pela fala de um prêmio Nobel, Desmond Tutu, de uma história irretocável, que fala em perdão sem esquecimento (entender realmente isso, chega a ser surreal), que fala em “we’re all africans” (e somos mesmo!), que foi calado durante décadas, que lutou não por um país SÓ negro, mas um país de todo seu povo, já valeu! Seu discurso – que mais pareceu uma ode à alegria – quebrou todos os preconceitos que vinha lendo numa das redes sociais mais acessadas do mundo. Emocionou quem questionava a qualidade musical de um povo que não busca mostrar ao mundo tecnologia, imponência, riqueza, pieguices, mas apenas a sua cultura, a sua maneira, sublime, de viver mesmo ao lado de uma infinidade de mazelas.

Então, quem lerá só esse parco relato pessoal, e emocionado, irá crer que não teve as breguices típicas desses eventos. O que não corresponde à verdade… porque teve sim, algumas delas (como uma Alicia Keys esquecendo que “pro mundo” é loira e com chapinha, como bem lembrou um amigo). Mas nunca um evento foi tão verdadeiro, deu tão sentido ao congraçamento que uma Copa significa. Nunca um evento esportivo chegou tão perto da utopia sonhada por um Barão de Coubertin, sempre só lembrado em Jogos Olímpicos, mas que tem muito a ver com a competição mundial do esporte mais praticado nesse mundo.

A África toda parece partilhar esse sentimento de receber o mundo. Respeitando proporções, tenho a sensação que deve ser a mesma de quando somos recebidos em pequenas casas no interior (especialmente de Minas Gerais). Casas reais, de pessoas reais, de um mundo real. Que tem prazer em receber qualquer um que chegue com uma boa conversa, uma boa vontade… mas, se nos desprendermos um pouco, e viajar nesse sentimento que o continente africano deixou no ar para quem tem um pouco de sensibilidade pescar, acho que a proporção deve ser esquecida nessa minha tosca comparação. Porque o sentimentos de estarmos em casa, no fundo, na alma, na essência, é real. Porque de lá viemos, é a nossa casa que nos joga na cara o orgulho em nos receber de volta, mesmo tendo renegado-a durante muito tempo, mesmo sabendo que voltaremos a renegá-la ao final da Copa.

Parafraseando Mário Quintana… “Não importa que a tenham demolido: A gente continua morando na velha casa em que nasceu.” We’re all african, sim.



*texto também publicado no Blog do Juca Kfouri (10/06/2010) www.blogdojuca.uol.com.br


quinta-feira, 20 de maio de 2010

aviso

Tantas coisas acontecendo.

Acho que esse blog vai mudar de cara.

Venho avisar.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Quem não arrisca, pestisca?

POR THAÍS MACEDO


Trocar o certo pelo duvidoso. Taí uma atitude para corajosos. Mas a dúvida é: porque cada vez temos menos coragem de tomar decisões, que sabemos serem necessárias, mas que, de alguma maneira, nos colocam em situações de risco?

Ás vezes a gente sabe que deve tomar uma decisão e fica protelando na esperança de que o destino resolva sozinho. E depois, se algo dá errado dizemos “ah mas não foi minha culpa”. Taí o X da questão: a culpa. Ninguém quer ser o culpado da própria desgraça.

Se algo dá errado queremos culpar alguém, nem que esse alguém seja o destino, os outros, até Deus. É difícil bater no peito e dizer: fiz a escolha errada. E o medo de errar e, consequentemente, de sermos os culpados das nossas falhas, nos paralisa. Mas as coisas podem dar certo. A mudança pode ser boa. Se o risco é alto, invariavelmente a recompensa também é.

Preferimos sempre viver sãos e salvos, no nosso cercadinho da certeza do que nos arriscarmos no desconhecido. Com isso perdemos. Sim, perdemos muito. Porque ficar parado não deixa de ser uma atitude. E a culpa continua sendo nossa.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Windows Media Player

POR ANTÔNIO PRATA

Alguém já disse, num arroubo de nostalgia, que “a televisão matou a janela”. Não poderia estar mais enganado. Aqui no meu quarteirão, pelo menos, TVs e fenestras não são atividades excludentes, mas duas peças complementares num curioso fenômeno sócio-esportivo: o insulto inter-condominial.

Acontece em dias e noites de jogos e funciona da seguinte maneira: o Corinthians, digamos, faz um gol no Palmeiras; imediatamente, os torcedores do Timão correm até suas janelas e gritam, com vozes de barítonos, que em outros tempos os levariam à ópera, ao comando de exércitos ou boiadas: “chuuuuuuupa porco imundo!!!”, “Tooooma porcaiada!!!”, “Choooooora parrrrmêra!”.

Como numa batalha de trincheiras, os palmeirenses esperam, encolhidos, acabar a munição corintiana. Então escancaram os pulmões e as persianas, no contra-ataque: “cala a booooooca maloqueiro!”, “Silêncio gambáááá!”, “Nem estádios cês têm, ô #%^*&!!!!”.

Os insultos ricocheteiam no concreto, ecoam pelos corredores de ar entre os prédios do quarteirão e atingem, numa estimativa cautelosa, mais de mil pessoas. O leitor acha que estou reclamando? Muito pelo contrário. Alguém já disse, num arroubo de otimismo, que “quando uma enorme onda aproxima-se da praia, há os que fogem, os que ficam parados esperando e os que correm para surfá-la”. Não poderia estar mais certo. Proponho surfar essas ondas sonoras, fazendo do insulto inter-condominial uma nova mídia publicitária.

Os profissionais da propaganda quebram a cabeça para conseguir atingir públicos específicos. Criam programas de televisão, shows, passam noites em claro bolando vídeos para jogar no youtube e acendem velas para São Viralito, o padroeiro dos hits espontâneos, rezando para que algum deles emplaque. E o que eu tenho aqui, diante de minha janela? Uma pequena multidão de um dos nichos mais disputados: homens de 16 a 25 anos, classe AA, todos de ouvidos abertos, só esperando para escutar o nome do patrocinador que me procurar no e-mail aí em cima e enviar um cheque no valor a combinar.
Entre um “chuuuupa porcada!” e um “cala a boca, gambá!”, eu viria com “Notoriuns vídeo, a locadora das Perdizes!” ou “Cerveja Riopretana, a melhor das artesanais!”. Topo, até mesmo, fazer campanha política. Quando for gol do Palmeiras, grito “Serra!”. Gol do Corinthians, berro “Lula é Timão! Lula é Dilma!”. Ou, independente do time: “Marina! Um novo jeito de fazer política! Um novo jeito de fazer campanha!

Caso os anunciantes queiram ir além das Perdizes, tenho quatro primos com condições de cobrir as regiões de Pinheiros, Santa Cecília, Higienópolis e Mandaqui, e um tio avô aposentado em Botafogo, Rio de Janeiro, cuja janela dá para uma faculdade particular. Aguardo contatos.

Este texto é dedicado ao meu irmão, usuário do "Windows Media Player" e que durante a Copa de 2002 chegou a gritar "chupa Inglês F@D%*P" para uma rua do Brasil, repleta de brasileiros.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Parabéns

Pessoal,

venho felicitar o meu irmão Tiago de Souza que venceu o 3º Concurso Literário de Campinas, com o conto Nunca vou me esquecer...

Parabéns, Ti!!!

E pra quem ainda não leu, eu já postei o conto neste blog. Leia aqui.


Taí mais uma coisa de que ele nunca vai esquecer.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Uma vez Flamengo...

POR RICA PERRONE

Eu fui a 700 jogos na minha vida, 650 na arquibancada. Diversos times, diversos estádios. Vi finais e mais finais.
Eu nunca vi uma torcida comemorar tanto um gol.
Eu nunca vi uma festa tão bonita.
Eu nunca vi um estádio tão bonito lotado.
Eu nunca vi um time ter tanto medo de ser campeão.
Eu nunca vi uma torcida ter tanto medo do fiasco.
Eu nunca vi um drama tão desnecessário.
Eu nunca vi nada do que eu vi hoje.
Eu nunca vi um gol tão bonito quanto feito.
Eu nunca vi um time jogar tão mal uma decisão.
Eu nunca vi um time ser tão querido por uma nação.
Eu nunca vi uma nação inteira vestida com a mesma roupa.
Eu nunca vi tanta gente feliz junta.
Eu nunca vi tanta paixão num só lugar.
Eu nunca tinha visto.
Hoje eu vi.
Aprendi, ao vivo, a cores e dentro da arquibancada, em pé, passando aperto pra entrar, e no meio da nação, o que é ser Flamenguista.
Eu achava que sabia. Mas não sabia.
Não, eles não são melhores do que os outros. Mas também não são iguais.
Eles são únicos.
Eles amam aquela coisa de uma forma inexplicável.
E quando eles dizem “sai do chão, sai do chão!”, não é uma musica, é uma ordem.
E se você não sair, eles te tiram.
E se você conseguir, no meio deles, ficar livre de qualquer envolvimento, você é um ET.
Não existe torcida mais bonita.
Não existe relação mais incrível como Flamengo x Rio de Janeiro.
Nunca vi uma cidade vestida com a mesma roupa desde as 8 da manhã de um domingo.
Nunca vi nada parecido com o que eu vi hoje.
Nunca vi tanta gente merecer tanto um título.
Não, não me refiro aos 30 jogadores do elenco. Me refiro aos 35 milhões de eternos jogadores do elenco.
Nação… me desculpem. Eu sei que esperavam um belo texto hoje.
Mas… nada do que eu escreva vai ser mais bonito do que aquilo que vi.

*Texto de um jornalista são-paulino que esteve no Maracanã na final do brasileirão 2009

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Aviso importante

Venho pedir desculpas pela falta de atualização deste blog.

É que minha criatividade entrou em greve e o pouco que me restou utilizo no trabalho. Acreditem, não está sendo suficiente.

Continuem acompanhando pois dias melhores virão. Nem que seja pra fazer um post sobre o espírito de natal :)

Atenciosamente

a diretoria

terça-feira, 10 de novembro de 2009

TEMA: Nunca vou me esquecer

POR TIAGO DE SOUZA


Quando me perguntam sobre algo que nunca mais esquecerei, a resposta raramente vem fácil, rápida. Ora por ter no coração incontáveis momentos inesquecíveis – apesar da já fraca memória –, sejam eles positivos ou dolorosos, ora por não saber definir exatamente em que e porque tal acontecimento tornou-se momento eterno.
E esses pensamentos seguem atemporais, sem separações por temas, ou outra coisa do gênero. Por exemplo, jamais me esquecerei do cabelo loiro da primeira paixão de criança, do suor no uniforme do colégio após brincar sem limites no recreio, do cheiro da chuva chegando quase religiosamente todos os dias no mesmo horário, assim como não esquecerei do dia em que saí realmente de casa.
Lembranças tenho do grito do meu avô no portão de casa – “minhas criançaaaas” –, o latido estridente do meu primeiro cachorro, do cheiro de manga no quintal, do dedo esfolado após tarde toda de futebol descalço na rua. Nunca sairá da minha lembrança a primeira vez que vi um morto, assim como quando vi meu primeiro ídolo – e avô – também num caixão.
Em alguns acontecimentos a palavra nunca seria exagero. Porque só com o sacrifício da recordação, do esforço de rebobinar o filme (nasci antes do DVD) da ainda precoce vida, é que voltam os dias vividos e a sensações experimentadas. Dói-me ainda como se fosse hoje, lembrar quando descobri que mudaria de colégio, uma tragédia para uma criança, todavia nunca esqueci – e acabei de lembrar – a batata frita feita pela avó. O carinho nas costas em tardes de sono, as tardes de sono no meio da semana, os fins de semana em que o maior compromisso era ter campeonato no clube, o clube de fim de semana, e o fim de semana passado.
Nunca me esquecerei da goiaba comida no pé, do medo do quintal escuro, da bronca da mãe e seu colo sem fim, do raro choro do pai e das suas histórias inventadas pra dormir. Saudades eu tenho da risada sem sentido com a irmã, da tarde sem tarefa com os amigos, das noites sem fim com a amada, das férias de gincanas – que para nós eram olimpíadas – com os primos.
O jogo mais importante da vida – ainda que fosse o primeiro de uma dezena deles – também jamais vou esquecer, assim como a dor da derrota, a perda do grande amor, a briga “para sempre” com o melhor amigo, e seu perdão do dia seguinte. Nunca deixarei de lembrar da bolacha maizena com requeijão, do pinhão no fogão à lenha, da ceia de todos os anos no natal na casa da avó, da viagem de fim de ano para o mesmo clube com a família.
O primeiro beijo, o primeiro porre, a primeira transa. A primeira dívida, a dúvida sobre contar ou não sobre a advertência no colégio, e o time inesquecível. Pequenos grandes momentos que me fazem duvidar de que ainda não completei três décadas. Acontecimentos de uma vida – assim espero – mal começada, de muitas alegrias e iguais dissabores, mas sobretudo já muito bem vivida.
Por isso, quando a pergunta sobre o que, ou quem, jamais será esquecido é de tão inverídica resposta. A cada dia que o tempo para e as recordações se sobrepõem, novos momentos, ditos eternos, novas pessoas, ditas inesquecíveis, novas sensações, ditas “para sempre”, vem à memória. E chegam sem sentido, sem tempo nem data, apenas com o mesmo calor-dor-alegria-sofrimento-rancor vivido no determinado instante. E na verdade, o que importa é exatamente isso, o sentimento experimentado. Porque ali me fiz vivo, ali deixei algo, e esse sim, jamais será esquecido.




* Texto escrito para o 3º Concurso Literário de Campinas. Estamos aguardando o resultado :)

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Vou te contar

POR THAÍS MACEDO

Esse título meio novela de Manoel Carlos tem a ver com o que quero dizer, porque esse texto tem um “quê” de lição de vida. Olha a pretensão.

A grande descoberta dos meus 25 anos (com rostinho de 18) é que todo mundo tem defeito. E não olhe para o seu computador com cara de desdém, ou pense que eu sou uma estúpida por só descobrir isso agora. Sim, isso a gente já sabe há muito tempo, mas entender isso na essência, ah meu filho, é outra história.

Estamos acostumados a apontar os defeitos dos outros e nos afastarmos daqueles cujos defeitos consideramos imperdoáveis. Aí nos aproximamos das pessoas das quais só enxergamos as qualidades, sim elas possuem alguns defeitinhos, mas nada que prejudique a admiração.

Eis que o tempo passa e você percebe/descobre/aprende que aqueles que você escolheu para conviver tem os mesmos defeitos daqueles que você nem quis chegar perto. E pior, decobre que você mesmo tem alguns dos defeitos imperdoáveis.

Analisando um pouco, percebi que as pessoas à minha volta estão se tornando cada vez mais humanas e por mais que essa frase pareça estranha, eu estou ficando cada vez mais humana. Percebi que somos capazes de ter as mais generosas atitudes, os gestos mais altruístas e ainda sim, fazer coisas de extrema maldade. O famoso método de interpretação teatral “Fátima Toledo” diz que temos todos os sentimentos dentro de nós mesmos, só precisamos encontrar a motivação. Aquela história de que temos anjos e demônios dentro de nós é muito mais que desenho animado e a escolha de qual deles seguir é nossa. Nem sempre dá tempo, certas situações escolhem por si só.

Enfim, a grande descoberta dos meus 25 anos é que: é preciso ter muita paciência e praticar muito o exercício do perdão. Porque poucos erros são imperdoáveis e mesmo esses, a gente pode cometer um dia.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Sobre o que eu nem sei quem sou

POR TIAGO DE SOUZA


Sempre tive vergonha/receio de admitir mudanças em minhas certezas. Porque sempre defendo tudo o que acredito com muita convicção, em alguns casos até com certa raiva de quem pensa ou defende o contrário à mim. Mas já posso considerar que esse ano de 2009 será marcante na minha vida, exatamente por me mostrar que o maluco beleza estava certo.


Nem ao céu nem ao inferno, seria o interessante. Não há a necessidade de ser uma metamorfose ambulante a todo instante, porque aí soaria pessoa sem personalidade, sem conteúdo, características inerentes às minhas vontades, que me acompanham desde o sempre. Mas ter velhas opiniões formadas sobre tudo, sem que a vida te ensine que pode ter errado em certo instante com determinada convicção, deixa a pecha de intransigente, turrão. E foi nesse ano que parei de me esconder nas minhas velhas opiniões sobre muita coisa.


Primeiro, na vida mesmo. Algumas decepções, privações, insucessos durante a minha ainda curta jornada, me fizeram acreditar na minha força além de qualquer limite. Sem confundir com arrogância, mas supunha ser mais forte do que qualquer obstáculo, por mais intransponível que ele parecesse. E assim seguia, subestimando problemas alheios por mim considerados irrisórios, escondendo sofrimentos com um samba (sempre ele) – "levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima" –, e tocando a vida com mais uma certeza, a de que seria quase uma personificação de Andraste, deusa mitológica tida com invencível. E aí vem a vida me colocar no meu lugar de ser humano e percebo que algumas vezes caímos, demoramos muito a levantar, a poeira ainda deixa uma parte suja e a volta por cima nem sempre vem da maneira que gostaríamos que viesse.


Depois percebi que a visão política nunca pode ser tida como definitiva. Nós, brasileiros, temos enraigado o sentido de torcida de futebol. Um pouco pelo sangue negro-latino, um pouco porque futebol, gostando ou não, parece estar na veia de todos na terra pau-brasilis. Transferimos isso em quase todas as esferas, não diferente na política. Muitas vezes presenciei – e fui parte delas – discussões acaloradas sobre visões políticas, sobre partidarismos, sobre políticos. Apesar de não ser do tipo que "torce contra", assim como muitos anti-lulistas, sempre defendi as bem executadas políticas sociais do atual governo acima de qualquer outra situação. Sem deixar de considera-las – assim como acredito ainda que a eleição de Lula deixou um bem inestimável, o pobre passou a ter política comprometida com seu bem estar social –, assisti a corrupção sem limites, confusão de partidarismo e Estado, e o, para mim, último golpe em minhas convicções, o esforço do Palácio do Planalto pró-Sarney. Meu futuro voto será repensado (não digo ainda que mudado), mas troquei a certeza política de outrora pela dúvida.


E venho numa mudança até nas coisas cotidianas, de pensamentos de tempos de infância... Mudei, primeiro, minha cidade preferida. Defendia antes a terra da garoa, mesmo sendo admirador incondicional do mar e aficionado por samba. Hoje, admito, cidade é aquela Maravilhosa. Mudei estilo de vida, corte de cabelo, usava brinco, gostava da rua, negava o gosto por música antiga, sonhava em largar tudo, valorizava status... ufa... mudei!


E geralmente isso ocorreria após uma grande ruptura na minha vida, sempre foi assim. E o ano das mudanças veio para mudar mais essa. Assumi que posso mudar simplesmente após o Rio de Janeiro ir para a fase final de escolhas da cidade que sediará os Jogos Olímpicos em 2016. A defesa era de que, primeiro, o Brasil tem muitos problemas maiores a serem resolvidos que consumiriam todo o montante gasto nos Jogos. Eu mesmo rebato, afirmando que os lucros serão superiores ao que for investido, que a cidade se beneficiará com obras de infra estrutura, que a visibilidade será histórica. Não queria os jogos no Brasil também pela experiência anterior no Pan Americano, onde as contas não foram aprovadas no Tribunal de Contas da União, com suspeitas de superfaturamentos de obras. Novamente eu me contesto, afirmando que para isso basta fiscalização. A comparação deve ter as devidas proporções, mas seria igual ser contra levar pavimentação à cidades com ruas e estradas de terra porque via de regra esse tipo de obra é superfaturada. E admiti a mudança antes da escolha do Rio como cidade olímpica, evitando ser tachado de remar somente à favor da maré.

E vibrei com a escolha da Cidade Maravilhosa, mas também por ter a certeza de poder ir numa apresentação musical e gritar, com gosto, "toca Rauuuuuul", esperando ouvir o trecho: "Eu quero dizer, agora, o oposto do que eu disse antes", mantendo, é claro, minha convicções... até elas mudarem novamente.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

#RIO2016 - é nosso!




É NOSSO PORRAAAAA! É RIO DE JANEIROO!

#CHUPAMADRID
#CHUPACHICAGO
#CHUPAOBAMA

A amazônia é nossa!!!! E as Olimpíadas também!
hahahaha só pra pirar...

#RIO2016

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Biafra

Depois do risonho e límpido Hino Nacional cantado por Vanusa, este vídeo surge com grandes chances de tirar outro artista do anonimato. Gargalhada garantida:

http://www.youtube.com/watch?v=FUrkziv1mmw

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O que os homens querem?

POR THAÍS MACEDO

Existem inúmeros livros, filmes, teorias e conversas de bar sobre o tema: mulheres. Virou lugar comum dizer "vai entender as mulheres" ou "não dá pra entender"ou "é coisa de mulher". Ninguém discorda de que mulher é um bicho complicado (eu nem acho, basta amá-la, obedecê-la e sim, adivinhar o que ela quer) mas será que é só ela?

Os homens são complicadíssimos na sua simplicidade. São tão práticos e "sem entrelinhas" que deixam a gente sem entender nada. Essa última semana abriu meus olhos pra tamanha diferença entre homens e mulheres, além de físicas, claro, e como estão enganados aqueles que afirmam que só as mulheres são complicadas.

Vou dar os exemplos para ilustrar o que estou afirmando. Assisti o filme "Ele não está tão afim de você". Filme água com açucar que você assiste e pensa "ohh como as mulheres são tolinhas, arrajam desculpas pra tudo e como é fácil entender homem". Depois vi o texto de um amigo meu, cujo blog indico aqui do lado, em que ele dava o manual de funcionamento do pensamento masculino. Muito esclarecedor, porém os dois voltam às velhas teorias, de que homem quer mulher bonita, inteligente, divertida e com a bunda boa, só precisa encontrá-la. E você que lê isso provavelmente concorda, não?

Pois eu digo, estamos todos errados. Isso é ilusão, mentira, balela. Claro que o homem vai dizer que é exatamente isso que ele quer, além do tradicional "santa na rua e puta na cama". Mas o que vemos por aí são mulheres gatas, inteligentes e solteiras, e não por opção.

Eu mesmo tenho uma amiga que é linda, divertidíssima, faz medicina, boazinha e solteira. Ela nunca namorou e se desespera ao pensar que nunca vai namorar. E os homens que lerem isso, vão me falar pra apresentar e tudo mais. Mas ela está aí e tem um monte delas por aí. Vocês homens gostam de facilidade, não querem mais o trabalho da conquista e esse tipo de mulher deve ser conquistada. Se você se acha diferente, pense nas cinco últimas garotas com quem ficou e agora me diga, qual você acabou procurando mais vezes. Eu duvido que tenha sido a melhor, provavelmente foi a mais fácil.

O homem diz que não encontra a mulher certa. Mas como vai encontar se fica com as mulheres melancia e olha para as Fernanda Lima? A maioria está por aí, a Paula, a Clara, a Lu, a Carol, a Pati. E estão procurando.

Não estou aqui para promover a guerra dos sexos. Pelo contrário, estou falando tudo isso para mostrar que assim como as mulheres são complicadas e difíceis de entender, os homens também são. E vejo tantas pessoas querendo se envolver, homens e mulheres, buscando em tantos lugares errados e com focos tão distorcidos, que é uma pena que não se encontrem.

Vamos procurar o comum, a regra, porque como diz o filme que citei, ali vai estar a SUA exceção.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Procura-se um Zé

POR JOSÉ ROBERTO TORERO

Caro João, caríssima Maria, eu vos pergunto: Qual o nome mais comum entre os jogadores do Brasileiro? José, certo? Errado. Totalmente errado. Os Zés hoje são uma raridade. Pelo menos no futebol.

Para ter certeza disso, fui ver como são chamados todos jogadores de todos os vinte times. São mais de 600 atletas, e entre estes encontrei apenas três zés: Zé Luís, do São Paulo, Zé Roberto, do Flamengo, e um cândido Zé, sem nenhum acompanhamento, que joga no Sport. Isso significa menos de 0,5%. Até aqui, na redação de Esportes da Folha, há mais Josés, como eu, o Geraldo Couto, o Carlos Kfouri e o Henrique Mariante.

Antigamente todo time tinha pelo menos um Zé. Ele podia vir acompanhado de outro nome, de um apelido, no diminutivo ou no aumentativo, mas toda escalação tinha um Zé. Tanto que, fazendo um pequeno esforço de memória, rapidamente consegui fazer uma seleção de Zés, uma zeleção.

Ela começaria com o goleiro Zé Carlos, do Flamengo (com Zecão, da Portuguesa, na reserva). Na lateral direita teríamos o Super Zé¸ que era o apelido de Zé Maria, do Corinthians (na reserva, os tricolores Zé Carlos e Zé Teodoro). Na zaga, Zé Eduardo, o viril zagueiro corintiano, e Zé Augusto, daquele célebre time do Bahia que tinha Sapatão, Baiaco e Beijoca. Na lateral esquerda, fiquei em dúvida entre Zé Carlos Cabeleira, do Santos, e Zeca, do Palmeiras. O meio de campo seria uma moleza: teríamos Zé Mário, do Vasco, o excelente Zé Carlos, do Cruzeiro e do Guarani, e Zé Roberto, talvez o melhor jogador da história do Coritiba. Na reserva, outros Zés, como o Elias, o do Carmo e o Renato. O ponta direita seria, Zequinha, ex-Botafogo e São Paulo, o centroavante poderia ser o veloz Zé Alcino, que jogou pelo Grêmio com Paulo Nunes, e na ponta esquerda entraria Zé Sérgio, campeão paulista pelo Santos em 1984. Para técnico há uma infinidade de opções, mas fico com Zezé Moreira, que é zé duas vezes. O árbitro? José Roberto Wright. O narrador? José Silvério, é claro.

O nome José era o símbolo do homem comum, normal. Mas hoje, ironicamente, os Josés são artigos de luxo. Se Drummond fosse escrever seu célebre poema por estes dias, teria que chamá-lo de “E agora, William?”

Acredito que esta escassez de zés ocorre por dois motivos. O primeiro é que as famílias de classe baixa há algum tempo vêm demonstrando uma inclinação por nomes estrangeiros. O “José” tornou-se um sinônimo de simplicidade, até de pobreza, e parece que querem mascarar estas coisas colocando alguns dablius no começo dos nomes e terminá-los com “son”, o que sempre dá um ar americano.

O segundo motivo é que os próprios jogadores tentam evitar o “Zé”. Talvez acreditem que é um nome de pouco apelo mercadológico. Por exemplo, Kléberson, do Flamengo, é José Kléberson, mas preferiu ficar só com o segundo nome. E o artilheiro do Náutico chama-se José Carlos, mas preferiu trocar o José por Bala e virou Carlinhos Bala.

Enfim, atualmente ninguém aceita ser mais um José, ninguém quer ser considerado um simples Zé. Hoje em dia todo mundo é diferente. Todo mundo é William.


Texto roubado do blogdotorero.blog.uol.com.br e publicado hoje na Folha de S.Paulo


PS: Em homenagem ao meu Zé preferido que é o Zé Dito, e também bate um bolão.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Théo desce e arrasa!




Homenagem ao meu sobrinho que vai nascer hoje.


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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Seja feliz sendo bobo

POR THAÍS MACEDO

O mundo anda muito chato em sem imaginação.

A política desanima com a balada do Sarney inabalável, tem a gripe suína (o primeiro nome é o que pega, agora não me venha com H1N1… da próxima façam como os policiais federais e percam mais tempo inventando nomes), o Carlinhos fora da Fazenda – um minuto de silêncio pela futilidade – e o Dado ganhando. Enfim, fica até difícil ser feliz. Aliás pra ser feliz atualmente, tem que seguir a “cartilha da felicidade”, que ensina a comer comidas saudáveis, arrumar um homem bom e trabalhador, mas que seja rico, sorrir pro sol, abraçar uma velhinha e um monte de obrigações.

Por isso, em prol de um mundo mais lúdico e alegre vamos criar a campanha Seja feliz sendo bobo. E não aquele bobo que toma chifre da namorada ou que toma calote do cunhado, e sim o bobo alegre, essa figura que tanto colore o mundo.

A ideia é você ser feliz fazendo coisas que todo mundo acha que são bobeiras, cafonas, ultrapassadas. E o melhor da campanha, é que você quem define o que te faz feliz, tipo a propaganda do supermercado. Quer contar a piada do “é pave ou pa comê”? Faça, fale pra sua mãe porque ela com certeza vai rir; quer brincar de esconder toda vez que ver (vir?) um carro de polícia? Siiiimmmm vai fundo. Busque aquele lado que só aparece quando bebe, e o melhor sem beber.

Cada um sabe o que diverte si mesmo. Libere-se das amarras sociais e seja Tarso Cadore por um dia. Lamba o molhinho que sobra no prato, faça o moonwalk na balada, dê susto em alguém e se mate de rir, cante uma música da Xuxa alto ao lado de alguém no elevador, use meias azuis, mesmo que ninguém veja. Liberte a imaginação!

Vamos acabar com a chata ordem social por alguns momentos, seja transgressor. Mesmo que uma vez na vida, por poucos instantes. O mundo precisa da loucura boa, criativa, colorida, o mundo precisa de fantasia. Quando possível é bom soltar o corpo e a mente.

A única restrição da campanha é que a sua felicidade não pode atrapalhar a do outro, não seja mala, mesmo que isso te faça feliz.

De resto, faz-o-que-tu-queres-pois-é-tudo-da-lei.



sábado, 15 de agosto de 2009

Twitter

Bom galera, não tive como escapar, entrei no twitter.

Estou parecendo uma criança com brinquedo novo, ADORANDO.

Resisti o quanto pude, mas se você, assim como eu, não resistir à essa moda me siga:

www.twitter.com/thata_macedo

Prometo tentar escrever mais aqui... mesmo com minha nova diversão, os atrasos não vão passar do "de sempre"

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Carne, unha, alma gêmea. Bate coração.

POR THAÍS MACEDO

Existe amor pra vida toda?

Não estou falando de amor de pai, mãe, família, amigos e cachorro, ou se você preferir, gatos. Estou falando de amor entre homem e mulher, existe amor de homem e mulher, pra vida toda?

Se você veio até aqui ler a resposta irei te decepcionar, caro leitor. Não sei a resposta, aliás acredito que não exista uma resposta correta, e como tudo na vida, essa teoria também depende de um referencial.

Eu, por exemplo posso acreditar que sim, pois meus pais são casados há trinta anos e sou testemunha de que eles ainda se amam. E trinta anos juntos já vale o status de “vida toda” mesmo ainda com muito chão pela frente.

Mas se tomar por mim, sem as referências que me cercam, será que eu amarei alguém pra vida toda? Isso é possível?

Bom, vamos torcer pra que sim né, pois a vida fica muito mais fácil quando é levada em dupla mas acho que não podemos nos prender à isso. Se você não encontrou a metade da sua laranja, a tampa da sua panela, não se desespere. Ainda temos aquelas opções lá do começo do texto, os pais, a família, os amigos e o gato/cachorro.

Cerque-se de amor e ele virá de alguma forma e você, se for inteligente, saberá aceitá-lo como ele é, isso sim é amor verdadeiro, isso sim é amor pra vida toda.


quarta-feira, 29 de julho de 2009

Querem acabar com a nossa solidão

POR HENRIQUE NUNES

Em nome da disputa por espaço, a cada dia um novo braço perde o seu apoio no balcão. Fruto do descaso dos patrões que baniram dos salões o lugar ideal para veladas confissões. A cada novo bar lançado, a ordem é colocar de lado quem não tem vergonha de beber calado. Mas não sabem tais senhores originais que tal atitude descabida tira a bebida das almas sem medida que, de costas para a vida, têm direito aos mesmos pecados capitais.

Matar o balcão, senhor patrão, é um atentado aos desacompanhados. É como entregar de bandeja o muro de lamentações de quem deseja alheias privações. Não se pode mais estar sozinho num bar sem ter de esnobar as gentilezas que pululam sobre as mesas ao lado. Malvado, esses patrões. Querem nos dar conforto, comandas e afins, mas esquecem que o porto seguro de qualquer botequim é o balcão desconfortável que nos tira do confim.

Sem balcão, senhor patrão, não haverá outro lugar para suportar o peso de nossos cotovelos e angústias. Sem balcão, senhor patrão, não haverá conserva que dê conta do espaço que (des)conserva o nosso corpo. Sem balcão, senhor patrão, os bares não serão mais a meca de nossas solidões. Mas, como me alertou meu amigo engarrafado, há muito bar que ainda não foi condenado. Talvez, se procurarmos com minúcia, encontraremos por aí algumas poucas ilhas para nos tirar desse naufrágio. Eis aqui o meu sufrágio.



Este texto foi indicado pelo meu irmão Tiago e roubado do blog Botequim do Bruno, segundo ele um "jornalista, boêmio e sambista de Campinas."

E o próximo texto prometo que será meu, senão este blog muda pra "Sem ideia original".